Mutilado.

E os braços envolveram-me de novo, abarcando meu corpo inteiro, tomando posse do que fora meu reino e agora eram escombros. Quando mergulhei no castanho fundo dos seus olhos não pude evitar a maré alta dos meus.

As horas escorriam. O calor que descia pela garganta fez-me esboçar um afago. Os lábios se encontraram, nervosos, pedindo pela fuga que não nos esquivamos de executar. Daquele momento em diante só soube guardar uns poucos instantes de luz: o corpo que se despia apressado, o amor declarado na imprudência do momento, o suor, o fim.
O sono veio, e antes de entregar-se ele calou minhas súplicas silenciosas. "Eu também te amo."

Agora o peito não me daria descanso. Como, se eu há muito não sabia receber amor em troca? Ele em um sono solto, e eu explodia em agonias inimagináveis. Então veio o travesseiro firme contra o rosto que quis tão bem. Ele resistiu, mas não por muito tempo. Afrouxei os braços e vi a lividez que resultou de meu desespero. Talhei convicta a mão fria e bebi com sofreguidão a essência do meu desejo. Aninhei-me em seu peito pra cantar, num fio de voz, o adeus.
"Pode ser a eternidade má..."
E nunca mais minha mente se ocupou de sua lembrança.

domingo, 9 de novembro de 2008

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