Acordei mergulhada em mim. As sensações cobrindo-me até o pescoço. Os horrores, os odores da tristeza vindo nariz adentro. O rosto assustado de quem nunca soube viver sem sobressaltos. Os cabelos dançando na frialdade estática do suor.
Os olhos seguiam abertos, pétreos, enquanto executava-se, alheia à minha vontade, a revolta mecânica dos braços. Colher, arrancar, tomar para si, atirar longe, livrar-se, partir, rasgar. Partir e rasgar, acima de qualquer outra coisa. Partir as esperanças, esmiuçá-las ao máximo. Rasgar o peito em agonias inexprimíveis, em fantasias vãs, em realidades cruas, cruéis. Rasgar-se enfim, sem necessidade de remendo, sem desejo de reparação.
E a mão, por fim, erguida num pedido de socorro.
O último suspiro, e afundo. Os olhos frios, a boca entreaberta, os sentimentos inundando definitivamente meus pulmões.
Afogamento.
Postado por Érika C. às 12:52
Marcadores: Drama Queen

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