Um sol sufocante esquenta o ladrilho que me queima os pés descalços. Há em mim uma qualquer necessidade de escrever seu nome. Escrevê-lo com todas as letras, milhares de vezes. Chamar-lhe aos berros, sem esperar que me atenda. Necessito fazê-lo para não enlouquecer.
Já se passou tanto tempo, e sua lembrança ainda traz-me lágrimas que nunca soube derramar. Elas vão se acumulando, e prevejo que hão de rebentar-me o coração.
Busco em outros olhos os seus. Embalde, enredo-me em amores inventados. Então, quando o torpor se dissipa na névoa da distância, é você quem permanece.
Você, com o sorriso desafiador, com o cigarro em punho, com o olhar oblíquo que não se compadeceu do meu.
Suspeito que não serei capaz de esquecer-lhe a pele suave, ou o suor que desprendia um odor doce e me fazia aturdida.
Partiremos juntos. Você para longe dos meus olhos, definitivamente. Eu, para voltar às suas lembranças.
Nunca me libertará?
Uma tarde em Minas Gerais.
Postado por Érika C. às 06:31 1 trovoadas.
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