Uma tarde em Minas Gerais.

Um sol sufocante esquenta o ladrilho que me queima os pés descalços. Há em mim uma qualquer necessidade de escrever seu nome. Escrevê-lo com todas as letras, milhares de vezes. Chamar-lhe aos berros, sem esperar que me atenda. Necessito fazê-lo para não enlouquecer.
Já se passou tanto tempo, e sua lembrança ainda traz-me lágrimas que nunca soube derramar. Elas vão se acumulando, e prevejo que hão de rebentar-me o coração.
Busco em outros olhos os seus. Embalde, enredo-me em amores inventados. Então, quando o torpor se dissipa na névoa da distância, é você quem permanece.
Você, com o sorriso desafiador, com o cigarro em punho, com o olhar oblíquo que não se compadeceu do meu.
Suspeito que não serei capaz de esquecer-lhe a pele suave, ou o suor que desprendia um odor doce e me fazia aturdida.
Partiremos juntos. Você para longe dos meus olhos, definitivamente. Eu, para voltar às suas lembranças.
Nunca me libertará?

terça-feira, 23 de setembro de 2008

 
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